Link Search Menu Expand Document

Introdução

Um pouco da história sobre a criação e o desenvolvimento do ABCD.

Table of contents

  1. O ABCD Central
  2. O OPAC do ABCD (iAH)
  3. O Site ABCD
  4. O Sistema de Controle de Periódicos do ABCD (SeCS)
  5. O módulo avançado de Empréstimo do ABCD (EmpWeb)
  6. A família do software ISIS (história e visão geral)
    1. 1975 - A primeira geração
    2. 1985 - A segunda geração
    3. 1995 - A terceira geração
    4. 2005 - A quarta geração
    5. 2008 - A quinta geração
  7. De “livre” para “FOSS”
    1. ISIS como software ‘aberto’
    2. ISIS como completo software de código aberto
  8. Objetivos do ABCD
    1. ABCD como uma ferramenta bibliográfica genérica e flexível
    2. ABCD como uma ferramenta orientada para bibliotecários
    3. ABCD como uma ferramenta para países em desenvolvimento
  9. Atores e parceiros do ABCD

ABCD é o acrônimo de uma suíte de software para Automação de Bibliotecas e Centros de Documentação. Em espanhol isto significa, na íntegra: Automatisación de Bibliotécas y Centros de Documentación, que mantém o mesmo acrônimo válido também para o idioma francês (Automation des Bibliothèques et Centres de Documentacion) ou português (Automação de Bibliotecas e Centros de Documentação). Mesmo em outros idiomas não-latinos, com pequenas, mas aceitáveis, variações – por exemplo Holandês: Automatisering van Bibliotheken en Centra voor Documentatie – o acrônimo ainda pode ser mantido. O nome em si já expressa a ambição da suíte de software: não apenas prover funções de automação para as bibliotecas “clássicas”, mas também outros provedores de informação, tais como centros de documentação. Flexibilidade e versatilidade estão na vanguarda dos critérios em que o software é desenvolvido. Essa flexibilidade, por exemplo, é ilustrada pelo fato de, em princípio, mas também praticamente qualquer estrutura bibliográfica pode ser gerenciada pelo software, ou mesmo criada por ele próprio. Mesmo estruturas não-bibliográficas podem ser criadas, desde que a informação seja basicamente informação ‘textual’, pois esta é a restrição imposta pela tecnologia de base de dados subjacente, que é a base de dados textual CDS/ISIS. Um bom entendimento de alguns conceitos básicos e técnicas relacionadas com ISIS, por exemplo, a Linguagem de Formatação, é fundamental para o pleno domínio do software ABCD. Por esta razão, algumas seções deste manual também irão lidar com a tecnologia ISIS subjacente. ABCD é chamado de “suíte” de software para automação de bibliotecas e centros de documentação porque é constituído por alguns módulos relativamente independentes, que podem trabalhar juntos de forma plena, mas também pode-se ter alguns sem depender de outros. De fato alguns dos softwares avançados, a maioria já tem demonstrado seu potencial em aplicações da BIREME em ambientes de alta demanda (dentro do contexto da Biblioteca Virtual em Saúde), foram adotados e adaptados no ABCD - é por isso que os nomes originais, como iAH, SeCS (ambos desenvolvidos pela BIREME) e EmpWeb (empréstimo Web, originalmente desenvolvido pela KALIO Ltda. do Uruguai e amplamente testado na Universidade de Valparaiso), são mantidos. Estas partes principais serão mostradas, com as suas relações hierárquicas no segundo nível da imagem a seguir e posteriormente discutidas resumidamente.

O ABCD Central

O módulo ‘Central’ do ABCD é composto pelos módulos de Administração de Dados (criação de bases de dados, edição da estruturas de bases de dados, utilitários de bases de dados), Catalogação, Aquisições, Circulação/Empréstimos e Estatística. Um módulo de gerenciamento de thesaurus também está sendo preparado, como parte do módulo de catalogação, para uma estrutura de base de dados de thesaurus específica, com controle de consistência dos níveis hierárquicos. Como parte deste “módulo central” também gostaríamos de mencionar os serviços de importação e exportação, impressão e ferramentas de base de dados, como o bloqueio/desbloqueio e “mudanças globais” de campos em registros. Esta parte “central” de fato representa a parte “back-office” do ABCD, os usuários finais não vão ser confrontados com o mesmo, mas o que eles irão visualizar e é oferecido são totalmente definidos nesta parte central de gestão do software! Qualquer base de dados de estrutura ISIS pode ser definida e gerenciada, atualmente com registros de tamanho máximo de 1Mb e bases de dados de no máximo 4GB (mas estas restrições serão superadas pela próxima geração ISIS e ABCD baseado na NBP). Em comparação com a tecnologia ISIS “normal”, a indexação de chaves de 60 caracteres (em comparação com 30 caracteres) que são usados, há funcionalidades de controle de autoridades muito mais robustas disponíveis (picklists com base em tabelas ou bases de dados de autoridades, tais como thesaurus) na etapa de entrada de dados com formatos de validação flexíveis e todas as interações são baseadas em tecnologia Web, naturalmente, permitindo, por exemplo, strings em código HTML para indexação do texto completo, hiperlinks para páginas de ajuda, etc. É perfeitamente possível automatizar totalmente uma pequena biblioteca, com a maioria dos usuários internos, com todas as funções necessárias, utilizando-se apenas esta parte central, como por exemplo: uma opção de busca avançada está incluída, de tal forma que todas as funções sejam cobertas com um mínimo de complexidade tecnológica (ou seja, apenas ISIS e PHP).

O OPAC do ABCD (iAH)

A interface de pesquisa pública (OPAC) é uma versão adaptada da interface avançada de informações em saúde (iAH) da BIREME. Permite meta-pesquisas não só em catálogos locais, mas também em muitas outras fontes de informação. A interface iAH desenvolvida pela BIREME está sendo atualizada atualmente para iAHx, garantindo que estará perfeitamente alinhada com modernos conceitos e técnicas de Recuperação de Informação (por exemplo, agrupamento, relevância em ranking baseado na indexação Lucene).

O Site ABCD

A função de pesquisa é oferecida como parte de uma página de portal “usuário final”, apresentando o(s) próprio(s) catálogo(s) em um contexto informacional muito mais amplo através do acesso a outros recursos informacionais (ex.: Google, Medline) e comunicação (anúncios, alertas), também abrindo o caminho para funções semelhantes à “Web 2.0”. O Administrador do Site é realmente um sistema de gerenciamento de conteúdo específico que permite elaborar o design da estrutura e dos componentes da página do portal.

O Sistema de Controle de Periódicos do ABCD (SeCS)

Este módulo oferece uma avançada ferramenta de gestão para periódicos/revistas (clássicos e/ou eletrônicos) de qualquer tipo de publicação (referindo-se à periodicidade). Seriados como tal, mas também publicações de um seriado e de todos os tipos de padrões de publicação podem ser gerenciadas por este módulo. BIREME utiliza esta tecnologia, por exemplo, para os seus produtos ‘Portal de Revistas Científicas’ (veja: http://portal.revistas.bvs.br/main.php?home=true&lang=en) e SCAD (veja: http://scad.bvs.br/php/index.php?lang=en) que é o Catálogo Coletivo Brasileiro de mais de 12.000 revistas (com milhares de fascículos) de mais de 50 bibliotecas.

O módulo avançado de Empréstimo do ABCD (EmpWeb)

Este módulo oferece gerenciamento avançado de empréstimos com mais alguns recursos extras para organizações maiores e mais complexas. Oferece uma função chamada ‘MyLibrary’ para os usuários finais através do OPAC e baseia-se em tecnologia de “web-services”. Ele pode ser usado para substituir o módulo integrado de empréstimos do ABCD em caso de necessidade de lidar com políticas “multi-branch” e situações de um volume de transações muito grande. A idéia de “suíte” reflete o fato de que ABCD tem partes relativamente independentes – como é o caso de suítes de automação comercial (por exemplo, Open Office, Microsoft Office) – mas com evidentes ligações ao processo de cooperar. O módulo Estatísticas, por exemplo, como parte do módulo de Circulação/Empréstimo, pode trabalhar com qualquer base de dados ISIS, enquanto o iAH-OPAC também pode oferecer avançada recuperação baseada na web em qualquer conjunto de bases de dados ISIS, não somente às mantidas pelo ABCD. O Sistema de Controle de Periódicos (SeCS) gerencia bases de dados ISIS, dentro ou fora do contexto ABCD. Mas, em conjunto, acreditamos, estas peças constituem uma poderosa suíte de ferramentas, bem como uma parte integrada, esperamos que “a soma é mais do que apenas as partes somadas”!

A família do software ISIS (história e visão geral)

Neste item, queremos fazer uma breve introdução, de forma mais ampla, à “família de software ISIS”, à qual pertence o ABCD. Tal como acontece com todas as “famílias”, os membros compartilham uma série de características, mas não todas. As características comuns da família ISIS, referem-se à maneira como as informações (de natureza textual) são armazenadas e gerenciadas, colocando-as em campos repetitivos de tamanho variável, com possibilidade de subdivisão de campos em subcampos. Os campos são, de fato, pares de um ID de campo (uma “tag”) combinado com um valor de campo (um texto, ou na mais recente geração ISIS, qualquer objeto, como por exemplo, “objetos binários grandes” ou bolhas). Além de características tecnológicas comuns, a maioria, se não todas as partes integrantes da família ISIS, também compartilham características “sociais”, por exemplo: * ser utilizada principalmente nos Países em Desenvolvimento ou “o Sul”, por exemplo, com uma presença muito forte na América Latina, mas também – mais do que pode ser “medido” em todos os tipos de centros de informação de pequeno porte, muitas vezes desprovidos, não conectados (sem Internet) na África e na Ásia; * sendo promovido por muitos membros e projetos das Nações Unidas, é claro antes de tudo em ambientes UNESCO, mas - como mostra o exemplo da BIREME - também a OMS e a FAO (o AGRIS e ASFISIS, sistemas da FAO podem ser dados como exemplos aqui, como também a origem do sistema de bibliotecas WEBLIS). As Nações Unidas IFAP e os programas da “Sociedade do Conhecimento” não deveriam subestimar o quanto de impacto real vem das ferramentas de informação promovidas pela UNESCO como o ISIS, IDAMS, Greenstone, etc. – às vezes até indicando que o impacto pode ser o inverso da dada entrada financeira ou publicidade. A ilustração a seguir resume a família completa até o momento.

Podemos resumir a história, considerando que a “família” agora tem 4 gerações, enquanto que a 5 ª geração está sendo preparada: * A primeira geração: CDS/ISIS e Micro-ISIS; * A segunda geração: interfaces enriquecidas ISIS/Pascal, ferramentas CISIS; * A terceira geração: multimídia gráfica e multi-base de dados: WinISIS, ISISDLL; * A quarta geração: habilitada para WWW (versões WWWISIS, isis3w, OpenIsis).

Do ponto de vista de algumas grandes mudanças tecnológicas introduzidas na nova geração a partir de 2008, talvez devêssemos considerar os mais novos membros ISIS (J-ISIS e ISIS NBP) como representantes de uma nova 5ª geração. Alguns destaques de cada geração são dados abaixo.

1975 - A primeira geração

1975 - CDS/ISIS na Organização Internacional do Trabalho (OIT) o “Centralised Documentation System” fundiu-se com o “Integrated Set of Information Services” que rodava no VAX OS em mainframes (computadores de grande porte).

1985 - Micro-ISIS G. Del Bigio se une com UNESCO e cria a versão baseada em PC-DOS e integra funções separadas em uma interface geral customizável, multilíngue baseada em menu, com documentação completa, como Versão 2.3 Versão 3.0 - 3.8: multi-usuário em rede, versão UNIX ISIS/Pascal, para UNIX OS baseado em Intel. Distribuição mundial e de enorme sucesso nos Países em Desenvolvimento.

1985 - A segunda geração

  • “add-ons” programados em ISIS/Pascal (por exemplo, Heurisko, ADEM, Iris e ODIN, LAMP) criam ferramentas ricas, por exemplo, IRBIS (Rússia) para bibliotecas, a FAO utiliza ISIS para seu sistema AGRIS e ODIN/IRIS extensões para o seu sistema ASFISIS;
  • Bireme/OPS (OMS Brasil) cria ferramentas CISIS, uma suíte para gerenciamento de bases de dados em linha comando, usando-a para suas enormes bases de dados de informação em saúde na Internet, que são multi-plataforma (rodam em Unix/Linux e DOS).

1995 - A terceira geração

  • UNESCO produz a versão Windows: WinISIS, com muitos recursos gráficos, multimídia e multi-base de dados;
  • Sistemas completos de automação de bibliotecas podem ser e são desenvolvidas, por exemplo, Purna (Índia);
  • Outras bibliotecas começam a usar o ISIS para automação completa de bibliotecas, por exemplo SNAL (Tanzânia) usa o sistema de bibliotecas ODIN/IRIS baseado em rede para sua biblioteca universitária;
  • Bireme distribui uma versão de servidor web do ISIS como “WWWISIS”, executado em ambos DOS/Windows e UNIX/Linux, muitos aplicativos são desenvolvidos JavaISIS (Itália) e isis3w (Polônia), acrescentados à família.

2005 - A quarta geração

  • Avançadas ferramentas baseadas na Web propiciam novos desenvolvimentos: GENISIS (França), que permite a criação fácil de interfaces Web de pesquisa;
  • WEBLIS (Polônia/FAO) é um avançado sistema web “full-fledged” de automação de bibliotecas;
  • Bireme desenvolve WXIS e adiciona XML para ISIS;
  • Sistemas de bibliotecas baseados em WXIS são desenvolvidas na América Latina (por exemplo, OpenMarcoPolo);
  • OpenIsis (Alemanha) cria a primeira versão totalmente Open Source (servidor web, PHP), mas segue seu próprio caminho (Malete, Selene).

2008 - A quinta geração

  • UNESCO desenvolve uma interface gráfica baseada em Java completamente nova “J-ISIS”, usando não apenas tecnologia Java, mas também os BD Berkeley embutido para a camada de armazenamento. Este projeto é totalmente orientado pelo projeto FOSS (software livre);
  • BIREME desenvolve ABCD e - ao mesmo tempo - uma tecnologia totalmente nova para os seus futuros produtos: ISIS: ISIS/NBP. ABCD pretende ser a primeira aplicação a ser migrada para NBP. NBP ou “Network Based Platform” é a nova tecnologia ISIS com as características principais:
  • arquitetura flexível, na qual “células ISIS” irão se comunicar, através de protocolos conhecidos, com diversas plataformas e interfaces; células ISIS também irão permitir a utilização de modelos diferentes de armazenamento, visto que estes estarão contidos dentro das células, mas elas se comportam da mesma maneira padronizada no sentido da tecnologia externa utilizada;
  • bases de dados ISIS não terão mais limitações obsoletas em termos de tamanho de base de dados, registros e campos;
  • bases de dados ISIS serão compatíveis com Unicode;
  • a indexação será feita utilizando outros indexadores de texto completo FOSS como Lucene (da Apache Software Foundation).

ISIS está sendo usado por dezenas de milhares de usuários, principalmente nos países em desenvolvimento onde é promovido pela UNESCO e BIREME (principalmente para a América Latina). Na América Latina ISIS é fortemente representado nas bibliotecas e centros de documentação (tem uma “posição dominante” mesmo aqui), na África e Sudoeste da Ásia há um número desconhecido, mas elevado de usuários, muitos destes não conectados à Internet e, portanto, ainda usando tecnologia mais antiga e com habilidades relativamente pobres em TIC. Isso cria um desafio especial para o suporte da comunidade de usuários. No 3 º Congresso Mundial de ISIS (Rio de Janeiro, Brasil, setembro de 2008), a Comunidade de Usuários decidiu tornar ISIS plenamente “software livre” e coordenado por um “International Coordination Committee on ISIS (ICCI)”, veja: http://portal.unesco.org/ci/en/ev.php-URL_ID=27760&URL_DO=DO_TOPIC&URL_SECTION=201.html. Resumindo a longa história de ISIS, pode-se dizer que o ISIS combina muito bem os princípios de base de dados “textuais” básicos, uma forte tradição, e uma comunidade mundial de usuários, mas insuficientemente coordenado, sem um moderno estado-da-arte do desenvolvimento tecnológico.

De “livre” para “FOSS”

Dica: Você pode estar interessado em ler o artigo completo sobre este tema, publicado em: “Inovation”, nº 36, junho 2008, p. 39-47. CDS/ISIS como um software tem sido “livre” e “aberto” desde seus primórdios, muito antes de “FOSS” (Free and Open Source Software) tornar-se um modelo conhecido de software (ou deveria ser colocada de forma inversa: muito antes do “software comercial fechado” tornar-se amplamente praticado).

ISIS como software ‘aberto’

Considerando que o ISIS, a partir da versão DOS, produzida e distribuída pela UNESCO desde 1985, sempre foi “livre” - ou seja, sem custo, mas com uma restrição: somente para setores sem-fins-lucrativos – o software não era “aberto” no sentido estrito do conceito, do hoje conhecido como “Open Source Software”, com suas diferentes definições (ver http://www.opensource.org/docs/osd) e licenças (por exemplo, (L)GPL, BSD, Creative Commons). Mas em 3 significados havia, já deste o início - e, portanto, muito antes do movimento de software livre começar a se tornar realmente visível -, os elementos de ser “aberto”, além de ser (software) livre:

  • As normas estavam abertas e publicadas. No “CDS/ISIS Manual de Referência”, escrito pelo seu pai criador Gianpablo Del Bigio (trabalhando para OIT e depois UNESCO), os detalhes técnicos foram publicados nos anexos, permitindo que outros programassem as suas próprias versões do ISIS, utilizando os mesmos padrões compatíveis. Por exemplo, na Eslováquia Marek Smihla programou executáveis (por exemplo, ADEM para entrada de dados), que funcionou de forma independente dos executáveis ISIS da UNESCO e podia gravar e ler registros ISIS. Bireme, em São Paulo, Brasil, fez uma coisa semelhante: eles programaram em linguagem C (portanto CISIS) ferramentas com uma série de características avançadas de gravação, leitura e de indexação (por exemplo, “join” de bases de dados, linkando-as como relações, etc.), que ainda são a base para seus outros programas relacionados a ISIS: a DLL e os servidores web (WWWisis, WXIS) e que agora têm capacidade expandida, por exemplo, máximo de 4 GB de tamanho de bases de dados, registros 1 Mb de tamanho, 60 caracteres de chaves de índice. Cooperação com a UNESCO foi então estabelecida, por exemplo, permitindo que o “CDS/ISIS para Windows” tornar-se uma mistura de módulos programados pela UNESCO e módulos programados pela Bireme.
  • Uma interface aberta, ajustável: o software em si foi apresentado como um ambiente muito flexível, com três principais características que foram usadas intensamente em todo o mundo, não apenas para alterar a sua “interface”, mas também as funções e características.

    • Uma estrutura de menu aberta: Micro-CDS/ISIS foi totalmente baseada em menus que podiam ser produzidos e alterados, usando o próprio software em si, incluindo a definição de “ações” a serem invocadas por cada opção do menu e permitindo sub-menus hierárquicos, bem como opções de acrescentar/apagar.

    • Um sistema de mensagem aberto: todas as mensagens foram/são baseadas em pequenas bases de dados ISIS que podem ser editadas e expandidas (cada idioma tendo a sua própria base de dados de mensagens). Isto não só permite (muitas vezes em conjunto com a característica anterior de menu aberto) a criação de conformações bastante diferentes do software – tendo em conta também as cores e recursos de tela que podem ser mudadas – mas também a expansão e a introdução de parâmetros (que podem então ser “lidos” como mensagens) para softwares adicionais, executando internamente no ISIS (ver mais adiante: “add-ons” do ISIS/Pascal), amplamente utilizados, por exemplo, pela interface de catalogação “ODIN” e IRIS OPAC (pelo autor do presente artigo).

    • Uma ferramenta de programação “ISIS/Pascal”, que atuou como uma “API” (com publicação de chamadas para funções e seus parâmetros) dentro do CDS/ISIS. Programas ISIS/Pascal, variando de algumas linhas para milhares de linhas de aplicações sofisticadas, podiam ser incluídas no programa, quer seja como “format exits” (para expandir as funções da já muito rica Linguagem de Formatação) ou como “menu exits” para expandir as funções dos menus, permitindo quase interfaces independentes para “assumir” o ambiente CDS/ISIS na criação e manipulação de suas bases de dados. Uma característica que ilustra a “abertura” foi a possibilidade de acrescentar um parâmetro no arquivo de inicialização “SYSPAR.PAR” para invocar automaticamente um menu e suas opções, permitindo assim pular interface de menu e imediatamente apresentar a interface ISIS/Pascal. Desta forma completa OPAC (por exemplo, IRIS usando uma tela de boas-vindas, que podia ser invocada por um mecanismo de “time-out” após sair de uma sessão anterior) e módulos de busca em CD-ROM (Heurisko é um exemplo) foram escritas, sistemas de empréstimo para bibliotecas e ferramentas de gestão de tesauro foram produzidas.

    • Por último, mas não menos importante: o caráter “aberto” da linguagem de formatação. A linguagem de formatação é uma gramática usada para definir de forma detalhada como os elementos da base de dados, provenientes de campos e subcampos repetíveis, também de outros registros da mesma ou outra base de dados (assemelhando-se, portanto, com abordagens relacionais) e com links de navegação, serão “processados” em alguma saída (para visualização, ordenação, impressão, exportação). Foi largamente expandido com recursos gráficos na versão Windows (RichText mas também imagens e extra textos e caixas de imagem). Juntos, esta característica “poderosa” de processamento de dados e de apresentação da linguagem de formatação, permitiram a produção de novas “identidades” do software, por exemplo, como um software de automação de bibliotecas com OPAC e sistema de empréstimos (por exemplo, PURNA da Índia). Em aplicações correntes, baseadas em tecnologia web, a Linguagem de Formatação normalmente ainda é usada para produzir elementos HTML (por exemplo, os links, mas também as tabelas), mesmo se ferramentas mais dedicadas para isso, por exemplo, PHP, são acrescentadas ao poder da própria linguagem de Formatação ISIS.

ISIS como completo software de código aberto

Já em 2001 a UNESCO decidiu embarcar nesta abordagem relativamente nova, não só o fornecimento gratuito do software, mas também tornar os códigos-fonte, em princípio, “abertos”, isto é, à disposição do público (ver: http://portal.unesco.org/ci/en/ev.php-URL_ID=13803&URL_DO=DO_TOPIC&URL_SECTION=201.html). Isso acabou por levar a um quadro de abordagem mais amplo do seu “Portal de software gratuito e Open Source”, promovendo a idéia e acrescentando outros softwares, por exemplo, Greenstone, à sua “cesta” de softwares apoiados e promovidos, para um melhor desenvolvimento profissional, também em países do Sul e transitórios. O Portal FOSS da UNESCO pode ser encontrado em: http://www.unesco.org/cgi-bin/webworld/portal_freesoftware/cgi/page.cgi?d=1, com links interessantes para discussões sobre a história do FOSS, licenças e estudos de caso. Na realidade, porém códigos-fonte para software ISIS existentes devem ser solicitados à UNESCO, mas os novos softwares estarão totalmente disponíveis em sites públicos. Na Bireme/OPS/OMS, uma decisão semelhante foi tomada em 2006/7. Já não iria cobrar a pequena taxa pelo seu software (como acontecia antes, por exemplo, de 150 dólares para o registro oficial como usuário com direitos a suporte e, portanto, torná-lo “livre”, mas também as fontes foram e ainda estão sendo preparadas para a publicação de todos os seus softwares, incluindo os módulos CISIS básicos. Seu software da nova de geração ISIS, chamado “ISIS-NBP” (Network Based Platform) seguirá métodos FOSS (incluindo uma “comunidade” com possibilidades de contribuir, discutir e fontes para download na URL http://reddes.bireme.br) para mostrar o seu compromisso firme com FOSS. Como o mais novo aplicativo completo, ABCD, será publicado na íntegra como código aberto, mesmo que o desenvolvimento original ainda seja gerido centralmente pela Bireme e seus próprios programadores, visto que o projeto é apoiado agora também pelo “Flemish Interuniversity Council (VLIR)” com os requisitos específicos para apresentá-lo como um concorrente pleno de outros sistemas de bibliotecas (incluindo outros softwares FOSS como KOHA e NewGenLib) e, para isso precisa algum controle mais central para fins específicos. A vantagem de se tornar totalmente fonte aberta - para todos os softwares - reside no fato de que os usuários, certamente os habilitados (programação), podem verificar os mecanismos internos e propor/fazer alterações, se assim for desejado. Um exemplo: WinISIS tem uma maneira ligeiramente diferente de ordenação de valores obtidos da função “VAL” (ou seja, removendo “padding” zeros primeiro), que não é um bug como tal e, portanto, não “necessita” ser corrigido pelo fornecedor do software, entretanto com acesso aos códigos fonte alguém poderia mudar isto. Como é sempre o caso com softwares de fonte aberta, seria melhor não fazer essas mudanças sem consultar/informar a “comunidade de desenvolvedores.

Objetivos do ABCD

ABCD visa proporcionar uma ferramenta integrada de gestão de bibliotecas que abranja todas as principais funções de uma biblioteca, ou seja, aquisição, gestão de dados bibliográficos, gestão de usuários, gestão de empréstimo, controle de periódicos, pesquisa para usuário final em bases de dados bibliográficas locais e externos e portal da biblioteca. Não é a primeira vez na história e ambiente ISIS em que tal esforço tem sido empreendido. Open MarcoPolo, Clabel e - como um esforço mais avançado - WEBLIS são antecessores para o ABCD neste sentido.

ABCD como uma ferramenta bibliográfica genérica e flexível

Como o próprio nome sugere, ABCD visa, no entanto, não apenas fornecer uma solução para bibliotecas, mas também para centros de documentação. Estes geralmente têm necessidades ligeiramente diferentes, por exemplo, têm mais coleções especializadas, maiores necessidades de conteúdo de divulgação (por exemplo, fornecendo resumos, utilizando tesauro, etc.) e requerem uma maior flexibilidade nas estruturas bibliográficas. Por esta razão ABCD não só tentou incluir funcionalidades de texto completo, mas foi concebido para oferecer uma solução mais aberta, permitindo que seja criada qualquer estrutura de campos e mantida no mesmo software. Através da tecnologia de base de dados ISIS em si, que é bastante flexível e não restritivo, estruturas bibliográficas podem ser criadas sem a necessidade de “normalizar” todos os elementos em uma série de tabelas ou relações (como é o caso da tecnologia de bancos de dados relacionais) e, na maioria dos casos, todos os elementos bibliográficos podem estar contidos em uma única base de dados - apenas para fins de otimização, ISIS pode esperar que seja implementada alguma abordagem semi-relacional como um sistema de bibliotecas. ABCD vem pré-configurado para algumas das principais normas bibliográficas, ou seja, MARC21, CEPAL e AGRIS. Mas repito: os mesmos mecanismos de interface e os formulários podem ser usados para criar e manter qualquer estrutura, seja bibliográfica ou não. Então, a fim de colocar os objetivos um pouco mais precisos: ABCD visa proporcionar uma ferramenta muito genérica/generalizável para gerenciamento de bibliotecas e centros de documentação.

ABCD como uma ferramenta orientada para bibliotecários

Outro objetivo específico do ABCD é oferecer uma ferramenta para bibliotecários, em vez de técnicos de TIC. Isto é alcançado utilizando princípios de biblioteconomia e ciência da informação (em vez de princípios de computador ou de programação) como ponto de partida, mesmo na concepção das próprias bases de dados. Normalmente um registro bibliográfico é uma entidade real em uma base de dados ISIS, e não uma complicada série de elementos agregados através de “query” ou “join” a partir de várias tabelas (como em sistemas relacionais), porém preservando critérios como eficiência (na utilização de espaço, velocidade de operação). Cada entidade poderá posteriormente ser minuciosamente “moldada” pelos próprios bibliotecários com a utilização da Linguagem de Formatação ISIS (LF), que permite lidar com todos os elementos de uma entidade (por exemplo, uma substring de um subcampo de uma ocorrência de um campo específico ao nível de micro-detalhe) sem uma verdadeira programação - mesmo quando a LF permite certo grau de lógica de programação como “loop” e condições aninhadas - para a criação de qualquer formato de saída. Esta saída pode ser qualquer coisa como uma chave de ordenação, uma chave de indexação, um formato de tela ou - como é o caso, por exemplo, dados ISIS do ABCD embutidos em páginas web, ou qualquer outra linguagem, tais como XML. Muitas experiências de ensino com ISIS demonstram que bibliotecários são perfeitamente capazes de compreender e usar tudo isso, alcançando resultados avançados sem uma verdadeira programação.

ABCD como uma ferramenta para países em desenvolvimento

ABCD visa fornecer a bibliotecários e profissionais da informação nos países em desenvolvimento uma ferramenta muito poderosa, que, no entanto, leve em conta algumas realidades específicas, tais como :

  • baixa disponibilidade de competências em TIC: assim como com soluções anteriores baseadas em ISIS, bibliotecários são - em princípio - habilitados a resolver os seus problemas, evitando arquiteturas desnecessárias de software, permitindo mesmo assim flexibilidade dentro do software (por exemplo, através da Linguagem de Formatação);
  • baixa disponibilidade de banda larga e conectividade: usando modernas técnicas web, tais como AJAX e JavaScript, o tráfego de dados entre cliente e servidor é mantido no mínimo, permitindo ao computador local (“client-side”) processar os dados, tanto quanto possível, sem se referir sempre ao servidor, também o design gráfico é mantido bastante sóbrio, pela mesma razão.

Atores e parceiros do ABCD

ABCD, como em todos os grandes projetos de software, é um esforço conjunto de vários atores e parceiros. Na URL a seguir é mantida uma lista dos principais atores e parceiros: http://reddes.bvsaude.org/projects/abcd/wiki/HallFame?version=20. A contribuição principal, obviamente, vem da Instituição Brasileira BIREME (ver http://www.bireme.br), que aproveitou toda a sua tecnologia baseada em ISIS para ser combinada em um produto de “culminância”, que é de fato o ABCD. Na verdade a idéia original deriva de seu atual diretor, o Sr. Abel Packer, que também dedicou generosamente tempo de trabalho e de seus programadores e gerentes de software. Uma menção especial é certamente apropriada para a Sra. Guilda Ascencio, Venezuela, que foi a principal programadora da parte central do ABCD, com seus módulos, baseado em seu próprio software “Orbital Documental”, no qual ela tinha provado que aplicações muito avançadas, combinando biblioteca e questões de gestão de outra documentação, pode ser construída, usando ISIS e tecnologia web. Ambos os autores deste documento têm agido como coordenadores do projeto de desenvolvimento do ABCD, tentando montar as muitas peças do quebra-cabeças – e ter certeza que a figura final do quebra-cabeças não só está mais ou menos correto, mas também de algum modo atraente. Dois outros parceiros institucionais também têm de ser mencionados:

  • UNESCO: como explicado anteriormente na seção sobre a história do ISIS, é claro que a UNESCO tem um enorme mérito no desenvolvimento e promoção do ISIS. ABCD passará a fazer parte do conjunto de produtos ISIS promovidos pela UNESCO, mas através de um Memorando de Entendimento entre a UNESCO e BIREME, supervisão técnico pela BIREME será assegurada;
  • VLIR/UOS: a seção “‘Development Co-operation” do “Flemish Interuniversity Council” (VLIR, Bélgica, veja: http://www.vliruos.be ver ), por meio de um projeto “‘Development Of and Capacity Building in ISIS-Based Library Automation Systems’ (DOCBIBLAS), que é promovido pelo co-autor belga deste manual, selecionou ABCD como a solução de automação de bibliotecas que pretende promover com bibliotecas universitárias de seu parceiro no Sul (América Latina, África e Sudeste Asiático).